terça-feira, 19 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Choro meu

Não está fácil. Nada mesmo.
Dei nisto agora. É uma choradeira pegada e eu nem sei porquê. Ando a modos que... sensivel.
Ele é lagriminha no olho durante o filme do tigre bebé do Odisseia, é choradeira "da braba" com aquele programa em que arranjam a casa toda de uma toda desgraçada familia. É vontade de levar para casa todos os cães vadios. E de abraçar qualquer criança ranhosa com que me cruze. Ele é lágrima escondida (que menina cirurgiã não chora em público) quando eles me lambuzam com os beijos de "ufa que já me livrei desta!" e soluço engolido quando as noticias não são boas.
Não dá. Tanta sensibilidade prejudica-me. Tolda-me os olhos e não me deixa ver o mundo com clareza. Chorar é coisa de menina and it's a cold world.
A lagriminha no canto do olho não aumenta, decididamente, o respeito dos meus co-workers e do resto do mundo por mim. (e há algum?!?).
Estou a considerar comprar rimel á prova de agua mas ainda assim fica-se-me o trilho da (teimosa) lágrima marcado, a clarinho, sob o pó bronzeador.
Oh criatura dentro de mim mesma, vai lá ser chorona longe, tá?

domingo, 10 de maio de 2009

"Enche-o-saquismo" ao anjo da guarda...

Diz-se que do medo faz-se a prece. É verdade, mas não. A veia da espiritidade corre-me e, sem querer, dou por mim, a pedir. Tenho tido sempre esse cuidado, esse respeito de não pedir por mim. Quebrei quando pedi. Aquela vez. E me foi aceite a prece. Agora, mal de mim e de vós, dou por mim a pedir. Que me dê várias mãos, pensamento rápido e me faça colocar o afastador na melhor posição possivel.

Sei que para ti tem sido uma canseira seres meu anjo da guarda porque, entre tendões rasgados e intestinos embrulhados, te sobra muito pouco tempo para os teus outros protegidos e para coisas pessoais, tipo ir ao SPA dos anjos (que bem mereces!).

Acredito que só não me odeias porque nutres por mim aquele amor imenso que os seres superiores sentem.

E porque sabes que eu não sou perfeita, não nasci aprendida e desta arte sou pouco entendida. Por isso, perdoa o meu medo, o meu "enche-o-saquismo" e a minha prece constante. Atende só quando achares por bem. Ou não atendas.
Entende só que me sinto muito mais segura se te pedir apoio.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Da noção que o ontem não volta...

Eu pensava que ter vinte e seis anos era ser muito velhinha... Até ontem.


Ter vinte e sete é muito, muito pior.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Motivo de Consulta I

Ele vinha referenciado porque tinha uma hérnia no umbigo.

- Então João, o que é que tu achas que preocupou tanto a tua mãe para te trazer a esta consulta aqui no hospital?
- Não sei mas acho que é porque as cuecas estão-se sempre a enfiar no rabo.

Não era este, definitivamente, o motivo da consulta. Mas pronto, é sempre bom saber ao que é que os meus doentes acham que vêm.

terça-feira, 14 de abril de 2009

É trauma!

Chegar a casa cansada, ir despindo a roupa pelo caminho até à casa de banho, pôr a água a correr para um banho de imersão...
De todas as tentativas que tenho feito corre sempre tudo bem até aparecerem as imagens da minha infância "luz-nem-sempre-água-quase-nunca", do tempo em que uma garrafa de agua de litro e meio dava para tomar banho e lavar o cabelo (com amaciador incluido!), de ver andar kilómetros por água... Naquele tempo (e neste, ainda), banho de imersão só mesmo na praia.
Culpa, culpa, culpa!
Desligar loguinho a água, ir a correr apanhar a roupa toda do chão, apagar as luzes todas pelo caminho (que os senhores da EDP não hão-de fazer fortuna à minha custa!), entrar na banheira, tomar um banho rápido igual aos de todos os dias.
O meu banho não é banho de TV, não tem àgua e espuma até ao pescoço e muito menos pétalas de rosa...
Ter crescido em África faz destas coisas. Em relação a banhos sou "conscienciosa" mas muito, muito pouco glamourosa.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Vida Nylon 6/0 (seis zeros)

Mudei tudo.
Passo a explicar. Mudei de hospital, de especialidade, de casa, de blog...
Agradeço o antes mas, embora tenha aprendido muito (porque "é na pôrrada qui a gentxi aprendxi, viu?"), acordo todos os dias a agradecer tooooooooodas as benções que têm passado por estas mãozinhas ultimamente. Do tipo "isso tudo é meu?" :) Mas sim, parece que é.
A minha vida passou a ser cosida em nylon seis zeros. Linha fina... Coisa boa...
Entretanto já fiz descobertas importantissimas. Descobri que uma tesoura que corte bem adesivo é mais importante que um estetoscópio e já sinto falta dele pendurado no pescoço. Cheguei à conclusão que é para escondê-lo que os cirurgiões têm bolsos nas batas...
Descobri que o fato de bloco me fica mesmo, mesmo bem e, com a touca, já não se notam as orelhas de abano. Fui feita para fatos de bloco...
Acima de tudo, re-descobri que fui feita para eles, para os pequenos.
E é por isso que horas a fio em pé não custam, acordar cedo já não é um problema, deitar tarde não incomoda nada e que voltar a estudar anatomia é, pasmem-se vocês também, um prazer...
Porque felicidade é isto, fazer o que se sonhou. Isto é uma vida Nylon seis zeros.

Obrigado, tá?