terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amores-perfeitos

Acho que os meus filhos já gostam de mim. Sim, porque nos primeiros meses só nós é que gostamos deles. Eles nascem, choram, fazem cocó, têm cólicas, sorriem para os bonequinhos do mobile... E um dia gostam de nós. Um dia é o nosso colo que os acalma e não qualquer colo. É a nossa voz que pára o berreiro quando o carro pára no semáforo (oh xuxu da mãe, princesa linda, bichinho bom...). A nossa, e mais nenhuma. Um dia eles acordam e riem para nós. E pronto, nesse dia eles já gostam de nós. Os meus filhos, gémeos "diferentes" que são (haverão gémeos iguais?), gostaram de mim em alturas diferentes.

Na verdade eles amam-me (sim minha doutora pediatria favorita, obrigado por acalmar os meus receios de que eles nunca gostariam de mim...). Mesmo.

(Até aos 9 anos... Depois voltam a odiar-me, já sei.)

E, sendo tão dificil encontrar um amor verdadeiro e reciproco, ser amada por duas pessoinhas ao mesmo tempo tem mesmo de ser a melhor sensação do mundo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Evolução

Eu sempre quis ter filhos mas sempre fiz disso um drama, um bicho de sete cabeças, um "como é que vou ser boa cirurgiã e boa mãe?", um "o melhor é ter filhos só depois da especialidade" ou um "vai na volta o melhor é nem ter filhos". Drama queen, eu.
E nem me apercebia. Se entre os 15 e os 24 anos ter filhos era certinho, os revezes do cupido e da vida alteraram os planos. É normal.
E eu ia fabricando os meus dramas, os meus impedimentos.
Mas um dia, um maravilhoso dia, Deus (Esse que tudo sabe), os meus maravilhosos óvulos e o melhor homem que podia ter acontecido na minha vida uniram-se para me mostrar que não controlamos nada. Que os dramas acabam quando o teste é positivo e que tudo se torna muito mais claro quando é positivo duas vezes.
Li algures que ser mãe de gémeos é a grande oportunidade de aprender a ser menos egoísta, a estar mais disponível e a pôr o bem estar dos outros à frente (duas vezes).

Acima de tudo é a grande oportunidade (e a responsabilidade) de criar duas pessoas de bem.

Esta é a minha oportunidade de evoluir. De tentar ser melhor pessoa.

Assim seja.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Certezas da vida...

U know you love your kids to death when, after a month of sleep deprivation, you still find them adorable at 3 a.m.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

34 semanas!

Grávida é um bicho chato. Grávida só fala de bebés, só pensa em bebés, vive de bebés.

Deus sabe que amo estes pequenos bichinhos que crescem dentro de mim, mas 9 meses de gravidez é muito mês. E escusam de vir com conversas de que "devias era aproveitar aquilo que outros não podem ter" e mais renhénhénhéu porque eu aproveito e agradeço. Mas não tenho de gostar de estar grávida.

Tenho saudades de sair de casa de manhã leve (onde é que isso ficou) para trabalhar. Dos meus doentes, do bloco operatório, das urgências...

Tenho saudades de ter assunto de conversa para além dos bebés.

Tenho saudades de 14 kg a menos.

Tenho saudades de conduzir para ir a qualquer lado sem tem um batalhão de PIDEs a perguntar porquê e a dar a suas opiniões acerca dos perigos de uma grávida de setecentas semanas que mal cabe no carro, conduzir.

Tenho saudades de conseguir pôr creme nas pernas e de pintar as unhas dos pés. E de não precisar de creme anti-estrias.

Tenho saudades de dormir uma noite inteira.

Tenho saudades do meu andar sexy.

Tenho saudades de dançar (ou melhor, tenho saudades de dançar sem parecer a hipopótama do Madagascar...).

Tenho saudades da minha energia.

Enfim, por agora sei que é o melhor. Que por eles compensa tudo. Tudo, tudo. Mas que tenho saudades, tenho.







terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ecografando...

E não é que depois de andar em stress a comprar roupa 00, vulgo roupa de prematuros, os bichinhos já têm 2 Kg? Sim, cada um. E ainda falta um mês e meio... Percentis 75 e 50.

Leitõezinhos é o que é...

Roupinha tão linda para 45 cm... Hão-de vesti-la, nem que fiquem todos encarquilhadinhos lá dentro.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Medo...

A pessoa, igual a mim, que disse (animada e credulamente):

"se calhar nem era mau ter um parto "normal", assim o pai podia estar lá ao lado e cortar os cordões!"

... não fui eu! É a oxitocina a falar por mim!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pequenas vitórias

30 semanas amanhã and we still rockin'! Ou melhor, slowing. Porque rocking provoca contracções e nós estamos, mais que nunca, a viver em "lento, lentinho"...

Anyway, se as primeiras dezoito semanas de gravidez foram péssimas e as dez seguintes foram muito más, as ultimas duas têm corrido muito bem. Engordei pouquinho, não tenho "aquela" fome de que as grávidas se queixam, mantenho as pés e pernas sem inchaços, não tenho dores incapacitantes, durmo a noite toda (acordo vinte vezes, mas durmo a seguir)...
A unica coisa que incomoda é a falta de ar e o cansaço. Canso-me muito, alguns passos são suficientes para iniciar contrações mas se ficar quietinha e não abusar, fico bem.

Depois de passarmos a fase do risco de prematuridade extrema, mamãe aqui relaxou. É obvio que mantenho os meus medos e angústias, o coração apertado cada vez que imagino os pequenos numa unidade de cuidados intensivos neonatais. E sei que os riscos se mantém, mas são menos e se há coisa que aprendi nestes últimos meses, é que cada vitória é uma vitória e tem de ser vivida e sentida como tal, em vez de desvalorizada.

Foi isso que os meus filhos me ensinaram nos últimos tempos. É por isso que eu vivo cada vitória destes meus ratinhos, cada dia é uma benção, e cada benção é mesmo uma benção com direito a confetis e festa rija e não apenas um encolher de ombros conformado como se fosse obrigação da vida dar-nos isto.
Os movimentos dos pequeninos parecem, nas palavras do pai, de cobras com pernas. Continuam fugidios mas já gostam mais de festinhas e beijinhos (ou se calhar, já não tem tanto espaço por onde fugir...). Não sei se já reconhecem a minha voz mas prefiro acreditar que sim.
A tarefa da semana tem sido arranjar as roupas (minúsculas, lindas) dos dois piolhos. Mantenho a obsessão em comprar roupa de prematuros. Olham-me com olhos de "´tá loka!" mas sei como é um bebé pequenininho vestido com roupa grande. Torna-se ainda mais pequenino e com ar ainda mais indefeso.
Não tem sido tarefa fácil porque não posso sair muito de casa e procurar á vontade. Além disso a gravidez tornou-me um bocadinho lenta e grande parte dos meus neurónios migrou para a barriga pelo que tem sido uma tarefa hilariante. É tudo a dobrar, e mãe cheia de experiencia que sou... Enfim, tem sido bonito. Se dependesse só de mim estas crianças provavelmente chegariam à maternidade e teriam a roupa toda trocada. Ou não teriam roupa (errrr... onde é que ficou a mala?!?).
Hajam avós, bisavós e tias-avós!