domingo, 6 de janeiro de 2013
Crescer é.
Sabemos que crescemos quando deixamos de encontrar amigos na discoteca e começamos a encontrá-los no restaurante no almoço ao domingo. E não é no restaurante da moda. É no restaurante que tem baloiços :)
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
De como as amigas nos lambem as feridas...
Porque as vezes e preciso fazer um ctrl+alt+delete e terminar tudo a meio. Fugir no entretanto. Fugir da rotina e dos medos. Dos doentes e das responsabilidades. Voltar e perceber que, dois anos depois, as pessoas continuam lá. As amigas continuam e recebem-nos com o mesmo carinho e ate com aquela atitude de "vamos la trata-la ainda melhor porque ela so tem disto uma vez por ano". Os desabafos. A praia com fofocas, o rir a toa, as saídas a noite... E morrer de saudades dos meninos entre uma coisa e outra. As vezes e preciso perceber que o nosso coração apertado ainda se aperta mais sozinho, deixa de relativizar as situações e nos torna em obcecadas por controlar e avaliar todas as atitudes, as horas de comer e banhos. vestidos que tem de condizer com bandoletes. E potencia a obsessão por limpar ranho e restos de leite no queixo. Guess what? Os meus meninos ficam ainda mais giros de ranho no nariz. Só que só consigo perceber isso agora. De certeza que tem alguma coisa a ver com sol na cabeça, sal no corpo e gargalhadas de amigas.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Eu vou fazer greve. Cá em casa vamos fazer.
A (nossa) Dra. Muxy explica porquê...
A (nossa) Dra. Muxy explica porquê...
O senhor ministro diz, demasiadas vezes, que as propostas que põe sobre a mesa vão de encontro às reivindicações dos médicos, diz que o que o preocupa são os utentes que vão ficar sem consultas por causa das greves, diz ainda que a requisição civil está sempre sobre a mesa e diz também que não tem medo dos médicos. A comunicação é difícil, eu sei, mas vivia na ilusão que falávamos a mesma língua.
O que os médicos reivindicam é o fim do contrato de horas em massa. Se as horas que estão a concurso equivalem ao trabalho de 1800 profissionais a tempo integral de 40 horas então queremos contratos e não horas avulso. O que o senhor põe na mesa é um tecto mínimo para o preço dessas horas. Não vai de encontro ao que queremos, desculpe lá. O senhor não sabe mas eu conto-lhe porque sou generosa: a medicina de qualidade depende de uma politica de serviço, de uma hierarquia, de um pensar conjunto, da discussão dos doentes, de assumir os doentes como nossos e ter com eles uma relação perene. O trabalho à hora não garante nada disto.
O senhor diz que está preocupado com os doentes e nós sabemos que na comunicação social vai aparecer a senhora que fez quilómetros para ir a uma consulta que o estupor do médico não fez. Descanse excelência, as consultas vão ser feitas, noutros dias pelos mesmos médicos. Fazer greve não nos poupa trabalho, a nossa relação com os doentes é fiel e por isso fazemos questão de sermos nós a ver os nossos doentes em vez de médicos estranhos contratados à hora.
Ameaça-nos com a requisição civil, não receamos excelência. O direito à greve é nosso pela constituição, sabemos quais são os serviços que não podem falhar e vamos cumpri-los. Não precisamos de castigos somos cidadãos responsáveis.
Não tem medo da greve mas perde tempo a desprestigiar a classe. Que somos pouco razoáveis, que não estamos abertos à negociação, que a ordem é amiga mas os sindicatos são maus. Tenha paciência e seja decente.
Defendemos o direito ao trabalho não precário, defendemos a justiça salarial e defendemos acima de tudo o Sistema Nacional de Saúde. Aquele que vocês, os senhores da austeridade expansionista (piada, piada) acham que é demasiado caro e, arrisco, demasiado bom para os portugueses.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Para a posteridade...
Queridos filhos desta pessoa que vos escreve,
Quase dois anos depois de terem nascido e centenas de dias a lidar com centenas de crianças depois, um pedido. Antes de serem crianças, pré-adolescentes e adolescentes. Enquanto ainda me ouvem. Mas não entendem. Pormenores, pormenores.... Queridos filhos da minha pessoa, vou anexar uma copia deste post a cada um dos vossos álbuns (sim, àqueles que ainda não fiz...). Para que me leiam quando crescerem.
Queridos filhos,
1. não vão andar de boné na cabeça dentro de um hospital, de uma igreja, de um museu ou de um espaço fechado no geral. Simple as that. Boné se existe sol. Se não existe, salta o boné. Pequeno pitbull terá eventualmente excepção se se verificar agravamento da sua carapinha loira e linda e precisar de a moldar...
2. não nos tratamos por você entre nós. Para nós isso tem uma explicação. Somos uma familia. Somos uns dos outros e optámos por isso. Todas as outras pessoas do mundo não são familia. E por isso, as mais velhas e desconhecidas serão tratadas por você até prova em contrário.
3. não vão bater-me ou a outras pessoais mais velhas. Ou a pessoas, no geral. Vá, se algum amiguinho vos bater, resolvam as coisas. Eu finjo que não vejo. Pontapés à mãe, ao pai, aos avós ou a qualquer outra pessoa não existem.
4. birras daquelas de atirar para o chão podem e irão existir, eu sei (sim, li o grande livro dos medos e birras....). Provavelmente a vossa birra não vai mudar a atitude na base da qual está a birra por isso, por favor, atirem-se para um chão longe de mim. O mesmo se aplica a adolescentes trombudos. Longe meus amores, longe...
5. se na vossa altura ainda se usarem calças a cair, perfeito. Gosto. Três dedos abaixo da espinha iliaca antero-superior é o limite. Calça abaixo disso, implica muita cueca de fora. E ou vocês são ambos modelos da Calvin Klein/Victoria Secrets ou esqueçam lá isso... Se andarem com cueca de fora, por favor, escolham uma gira. E limpa, para todos os efeitos.
6. falando em cuecas... Minha pequena princesa, roupa interior é, tal como o nome indica, interior. Muitas alças de soutien à mostra confundem-me...
7. não se atropelam pessoas para atingir fins, não se bate em animais, não se julgam as pessoas pela aparência e muito menos se inferioriza alguém pelo que possui ou não.
8. é-se humilde. Voces são ambos lindos, mas haverão pessoais mais bonitas que vós. São ambos inteligentissimos mas haverão pessoas mais inteligentes. Vocês são, para mim, as pessoas mais especiais de todo o mundo. Mas nao o são para toda a gente. Temos de ter auto-estima e reconhecer o nosso valor. Mas ser humilde é uma virtude ainda maior.
De resto podem fazer tudo: pintar paredes, rasgar sofás, namorar, sair à noite, fazer piercings e tatuagens, partir braços e pernas... Podem fazer quase tudo na vida meus filhos, desde que sejam pessoas decentes.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Mãe é um bicho difícil de entender
Primeiro foram os seis meses com eles em casa. Mal dormia, mal comia, mal fazia chichi e tomar banho (ah tomar banho, esse luxo...) era a correr. Todos os minutos da minha existência resumidos a tratar deles, olhar para eles, estar com eles. Dar-lhes beijos, pronto.
Durante a licença de maternidade não fui ao ginásio, não aproveitei para estudar, não tomei cafés com amigas - assim que me lembre, só com amigas? duas vezes. Em seis meses. Fui algumas vezes ao centro comercial sozinha, mas sem eles não sabia o que fazer e voltava para casa com o rabinho entre as pernas e uma tabuleta a dizer "culpa" na testa. Raramente sai sem eles mas também pouco sai com eles. Ah, sim, experimentem sair sozinha com dois bebés "de ovinho". Também não conseguia sair só com um. Um bocadinho ridiculo gabarem o menino e a minha resposta ser "é, é parecidissimo com a irmã gémea". Voltava novamente a casa com o escolhido do dia para o passeio, o rabinho entre as pernas e a tabuleta a dizer "culpa" na testa. Não levei os bebés às aulas de pilates, não os levei em longos passeios pela praia. Nada. Fiquei com eles. Só. No nosso casulo. Ralhei muito as interferências nesta nossa dupla de três e sofri por não conseguir dar aos dois toda a atenção do mundo. Afinal, mesmo que estivesse 24 horas dedicada a eles só conseguia dar a cada um metade de toda a atenção do mundo.
E depois a mãe teve de começar a trabalhar, porque alguém tem de fingir que também sustenta esta familia. Assim devagarinho para o standard daquilo que a vida de médico interno em especialidade cirurgica é. Mas ainda assim, doloroso. Oito horas diárias no trabalho não são nada. E bancos de 12 horas duas vezes por semana é muito pouco. Trabalhar 50 horas por semana é pouco. Para um médico interno é pouco. Mas oito horas fora de casa é muito. Dois dias por semana sem ver os meninos acordados é muito. E passou a ser casa-trabalho-casa. Não há tempo para ginásios nem para cafés nem para passeios. Não há tempo para mim. e, surpreendentemente, isso já nem me preocupa. Porque em casa há sempre alguma coisa para brincar, alguma fralda para trocar, alguma birra para acalmar. Alguém para dar beijos. Eu entro e saio e acho que eles nem se apercebem. Juro que pensei que era porque não gostavam de mim. Mas depois percebi que lhes transmiti o sentimento de que estou quase sempre presente. Eles tomam-me "for granted" e ter-lhes dado essa segurança sabe-me bem.
E há um dia em que a mãe tem um exame e que tem de estudar mesmo, mesmo muito. E tem bancos de 24 horas. E não pode estar com os meninos como queria. Só pode estar com eles naquilo que considera "doses homeopáticas de filhos".
E é nesses dias que eles percebem que afinal têm uma mãe que só está de vez em quando e que fazem festa quando chego a casa. E que choram quando saio.
Se calhar também tem a ver com o tal tempo de qualidade e rebeubeu que toda a gente fala. Ora vejam, eu cheio a casa morta de saudades deles e a hora que tenho com eles é a que faz mais sentido de todas as 24 que o dia tem. E acho que eles sentem isso. Se eu os conheço tão bem como é que eles não me hão-de conhecer de ginjeira?
É-me custoso aceitar a ideia de que tenho de terceirizar os cuidados aos meus filhos e, em vez de ficar feliz porque eles se aperceberam que têm mãe, fico assim meio morta por dentro por perceber que ele afinal perceberam isso da pior forma.
Apesar de acreditar que tudo o que faço é o melhor para eles, cá estou eu com a tal tabuleta a dizer "culpa" na testa.
A sério, isto chega a ser patológico. Mãe é um bicho dificil de entender...
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Serviço Publico
Pessoas, uma dica:
a forma mais fácil de serem servidos rapidamente em qualquer restaurante é levar duas crianças de 1 ano.
É ver os meninos a sentarem-se nas cadeirinhas e a começarem a lamber as manteigas, a puxar as toalhas de papel, a chorar porque querem pôr as facas nas bocas, a atirarem-se cadeirinha abaixo e ver os senhores empregados a correr com a ementa, os pratos, a sobremesa "e já agora trago o cafézinho e a conta ao mesmo tempo, sim?".
Vão ao restaurante da moda e não querem ficar na fila à espera de mesa? Vão àquele restaurante que adoram mas onde demoram uma eternidade a atender-vos? Eu empresto os meus filhos.
Rapidez garantida!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
A medicina na era da informática...
Na urgência, chamo um menino de 11 anos que entra muito queixoso e agarrado à barriga.
Depois das perguntas da praxe peço-lhe para se deitar na marquesa.
Enquanto lhe vou palpando a barriga pergunto:
- Então João, dói mais quando eu palpo à esquerda ou à direita?
Ao que o João responde:
- Dói mais quando clicka à direita!
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A relatividade das coisas
Os meus filhos (vá, pelo menos um deles) já dizem mamã.
Sim, grande coisa, respondem vocês, aos quinze meses TODOS os bebés já dizem mamã.
Eu sei, eu sei. Espectacular era se já dissessem, sem gaguejar, " o-rato-roeu-a-rolha-do-rei-da-russia". Mas estou feliz na mesma.
Para quem só dizia papá e cocó, é um grande upgrade.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Sete?
E já lá vão quê? Quatro, cinco, seis meses? Sete! Sete meses desde o ultimo post.
Isto de ser mãe de dois, mulher de um e médica de muitos é bem capaz de fazer uma pessoa não ter tempo nem de pegar no computador quanto mais de escrever alguma coisa com ele.
A piolhagem cá de casa já anda. Muito. Normalmente sempre para lados opostos (qu'é feito daqueles gémeos que andam sempre juntinhos?). E caem ainda mais. Estão lindos demais e são perfeitos.
O internato já encarrilou (finalmente!) e daqui a três dias, hospital novo, pertinho de casa, só mesmo a fazer cirurgia pediátrica.
Já tenho um armário para a minha maquilhagem (ó futilidade abençoada!).
Pronto, em linhas largas foi isto que aconteceu nos últimos sete meses. ainda que pareça minimalista é mesmo assim que sinto o tempo. A correr.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Sobre a boda real
1. As filhas de Sarah Ferguson resolveram vingar-se do facto de a mãe não ter sido convidada para o casamento. Se a intenção era arruinar a foto de familia, conseguiram!

2. Isto de se casar á sexta-feira lembra-me os casamentos em Angola.... Será a globalização?
3. Kate (ups, Catherine) auto-maquilhou-se para o seu casamento. Queria ficar igual a si mesma. Pontos, pontos, pontos. Fiquei fã.
4. Eu casava-me só com a tiara que ela levou. O vestido podia ser da Zara, quem precisa de vestir-se quando tem uma tiara daquelas?
5. Eu não sou de intrigas mas só na ala dos homens é que vi televisões ligadas para ver o casamento... Serão os homens a mudar ou a patologia cirúrgica torna-os mais sensiveis?
segunda-feira, 7 de março de 2011
Como é...
... operar um recém nascido depois de ter os meus?
Afffff...
É um nó na garganta. Uma grande responsabilidade, ainda maior que já era. Porque é o filho de alguém. É o pequenino ou a pequenina de alguém. É o motivo do quartinho cor de rosa de alguém. É o bebé que faz os barulhinhos mais deliciosos do mundo para alguém. É tudo para alguém.
É-me impossivel não me rever nas lágrimas dos pais (normalmente das mães, os pais tendem a abraçar a mãe e a aguentar-se estóicamente - conosco foi assim, tenho reparado nisto e tem sido assim sempre). É impossivel não me lembrar dos primeiros dias de vida dos meus filhos, da impotência e da dor de não poder fazer nada excepto ir para o pé da incubadora e cantar baixinho "can't take my eyes off of you" até à exaustão.
Tem-me doído falar com os pais, olhar para eles. Porque os meus filhos sobreviveram e ficaram bem e dói-me não poder prometer isso.
Doem-me ainda mais os pequeninos. O ar indefeso que vem normalmente junto com um pequeno humano que pontapeia, chora e nos foge debaixo das mãos. Vencemo-los pela anestesia mas vê-los adormecidos é ainda mais duro.
Quando se põem os panos e se ligam as luzes, já não quero ser a mãe. Tento esquecer-me dos meus filhos e das minhas dores e das minhas duvidas e deixar que a técnica e o rigor me movam. Porque só assim, com o coração ao alto, se consegue operar alguém, novo ou velhinho.
O que me move é um amor grande pelo que faço, são as borboletas na barriga e é a forte convicção de que só fazemos o que tem de ser feito e cada vez que pousamos um bisturi na pele de um recém nascido é por um motivo muito forte.
... E agora vou ali fazer um bocado de psicoterapia e já volto...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
São Valentim
Eu não gostava do dia dos namorados. Eu tinha até uma certa antipatia por São Valentim (semelhante à que nutro pela padeira de Aljubarrota, mas isso fica para outra ocasião). Abominava o cupido.
Agora, desde que esta pessoa especial apareceu na minha vida, não consigo fazer outra coisa a não ser adorar São Valentim.
Venham os ursos de peluche, os jantares à luz das velas, as lingeries provocantes e o amor eterno. Venha tudo o que de piroso este dia possa ter, mas venham também todas as celebrações de amor. Por nós, pelo outro. Por aquele que nos acompanha nesta viagem louca.
Porque o amor é tudo. E o amor pode muito bem ser um urso de peluche. Um jantar à luz das velas. O amor pode ser uma lingerie provocante. Uma festinha na mão antes de dormir. Ou dois bebés.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Eu, grandessissima preguiçosa, me confesso...
Confesso, pois.
Que não ponho os pés no ginásio há muito mais dias do que os que gostaria de admitir. Que quando o telefone toca e vejo que é de lá, não atendo de propósito. Já é suficientemente mau assumir que não tenho ido tanto quanto devia. Ter de explicar e desculpar-me mais do que três vezes seguidas ao menino musculoso, é obra.
Além disso não posso andar sempre a culpar os gémeos de tudo.
É verdade que, se eu conseguisse dormir à noite, talvez de manhã tivesse vontade de ir ao ginásio. Talvez. Mas provavelmente não ia na mesma.
A verdade é que não gosto de ginásios, nem de ginásticas nem de nada que implique correr, jogar com bolas e coisas do género.
É triste ser assim mas, grandessissima preguiçosa que sou, assumo. Triste. Senão vejamos, por essa blogosfera, facebooks, twitters e afins anda meio mundo a correr, com planos de treino que cumprem rigorosamente. A outra metade faz bodycombat ou bodyqualqueroutracoisadogénero, também numa base regular. Três vezes por semana. É animado e fixe mas eu, só de pensar nisso, já fico cansada.
Ah, e tal, é porque não precisas. Enganam-se queridinhas. Preciso sim. Que perder os 15 kilos foi facil, muito fácil. Dificil tem sido lembrar ao meu corpo que não é um pudim flan.
Mas isto agora vai mudar, ai vai vai. Fevereiro vai ser o novo Janeiro. Nada de novo, sou sempre um bocado retardada nas resoluções de fim de ano. Amanhã (re)começo (pela enésima vez) o exercicio de novo. Tá dito.
E agora vou ali acabar a caixa de Ferrero Rocher que a partir de amanhã para além de um corpo escultural vou ter sempre uma glicémia inferior a 50.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Amores-perfeitos
Acho que os meus filhos já gostam de mim. Sim, porque nos primeiros meses só nós é que gostamos deles. Eles nascem, choram, fazem cocó, têm cólicas, sorriem para os bonequinhos do mobile... E um dia gostam de nós. Um dia é o nosso colo que os acalma e não qualquer colo. É a nossa voz que pára o berreiro quando o carro pára no semáforo (oh xuxu da mãe, princesa linda, bichinho bom...). A nossa, e mais nenhuma. Um dia eles acordam e riem para nós. E pronto, nesse dia eles já gostam de nós. Os meus filhos, gémeos "diferentes" que são (haverão gémeos iguais?), gostaram de mim em alturas diferentes.
Na verdade eles amam-me (sim minha doutora pediatria favorita, obrigado por acalmar os meus receios de que eles nunca gostariam de mim...). Mesmo.
(Até aos 9 anos... Depois voltam a odiar-me, já sei.)
E, sendo tão dificil encontrar um amor verdadeiro e reciproco, ser amada por duas pessoinhas ao mesmo tempo tem mesmo de ser a melhor sensação do mundo.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Evolução
Eu sempre quis ter filhos mas sempre fiz disso um drama, um bicho de sete cabeças, um "como é que vou ser boa cirurgiã e boa mãe?", um "o melhor é ter filhos só depois da especialidade" ou um "vai na volta o melhor é nem ter filhos". Drama queen, eu.
E nem me apercebia. Se entre os 15 e os 24 anos ter filhos era certinho, os revezes do cupido e da vida alteraram os planos. É normal.
E eu ia fabricando os meus dramas, os meus impedimentos.
Mas um dia, um maravilhoso dia, Deus (Esse que tudo sabe), os meus maravilhosos óvulos e o melhor homem que podia ter acontecido na minha vida uniram-se para me mostrar que não controlamos nada. Que os dramas acabam quando o teste é positivo e que tudo se torna muito mais claro quando é positivo duas vezes.
Li algures que ser mãe de gémeos é a grande oportunidade de aprender a ser menos egoísta, a estar mais disponível e a pôr o bem estar dos outros à frente (duas vezes).
Acima de tudo é a grande oportunidade (e a responsabilidade) de criar duas pessoas de bem.
Esta é a minha oportunidade de evoluir. De tentar ser melhor pessoa.
Assim seja.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Certezas da vida...
U know you love your kids to death when, after a month of sleep deprivation, you still find them adorable at 3 a.m.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
34 semanas!
Grávida é um bicho chato. Grávida só fala de bebés, só pensa em bebés, vive de bebés.
Deus sabe que amo estes pequenos bichinhos que crescem dentro de mim, mas 9 meses de gravidez é muito mês. E escusam de vir com conversas de que "devias era aproveitar aquilo que outros não podem ter" e mais renhénhénhéu porque eu aproveito e agradeço. Mas não tenho de gostar de estar grávida.
Tenho saudades de sair de casa de manhã leve (onde é que isso ficou) para trabalhar. Dos meus doentes, do bloco operatório, das urgências...
Tenho saudades de ter assunto de conversa para além dos bebés.
Tenho saudades de 14 kg a menos.
Tenho saudades de conduzir para ir a qualquer lado sem tem um batalhão de PIDEs a perguntar porquê e a dar a suas opiniões acerca dos perigos de uma grávida de setecentas semanas que mal cabe no carro, conduzir.
Tenho saudades de conseguir pôr creme nas pernas e de pintar as unhas dos pés. E de não precisar de creme anti-estrias.
Tenho saudades de dormir uma noite inteira.
Tenho saudades do meu andar sexy.
Tenho saudades de dançar (ou melhor, tenho saudades de dançar sem parecer a hipopótama do Madagascar...).
Tenho saudades da minha energia.
Enfim, por agora sei que é o melhor. Que por eles compensa tudo. Tudo, tudo. Mas que tenho saudades, tenho.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Ecografando...
E não é que depois de andar em stress a comprar roupa 00, vulgo roupa de prematuros, os bichinhos já têm 2 Kg? Sim, cada um. E ainda falta um mês e meio... Percentis 75 e 50.
Leitõezinhos é o que é...
Roupinha tão linda para 45 cm... Hão-de vesti-la, nem que fiquem todos encarquilhadinhos lá dentro.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Medo...
A pessoa, igual a mim, que disse (animada e credulamente):
"se calhar nem era mau ter um parto "normal", assim o pai podia estar lá ao lado e cortar os cordões!"
... não fui eu! É a oxitocina a falar por mim!
"se calhar nem era mau ter um parto "normal", assim o pai podia estar lá ao lado e cortar os cordões!"
... não fui eu! É a oxitocina a falar por mim!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Pequenas vitórias
30 semanas amanhã and we still rockin'! Ou melhor, slowing. Porque rocking provoca contracções e nós estamos, mais que nunca, a viver em "lento, lentinho"...
Anyway, se as primeiras dezoito semanas de gravidez foram péssimas e as dez seguintes foram muito más, as ultimas duas têm corrido muito bem. Engordei pouquinho, não tenho "aquela" fome de que as grávidas se queixam, mantenho as pés e pernas sem inchaços, não tenho dores incapacitantes, durmo a noite toda (acordo vinte vezes, mas durmo a seguir)...
A unica coisa que incomoda é a falta de ar e o cansaço. Canso-me muito, alguns passos são suficientes para iniciar contrações mas se ficar quietinha e não abusar, fico bem.
Depois de passarmos a fase do risco de prematuridade extrema, mamãe aqui relaxou. É obvio que mantenho os meus medos e angústias, o coração apertado cada vez que imagino os pequenos numa unidade de cuidados intensivos neonatais. E sei que os riscos se mantém, mas são menos e se há coisa que aprendi nestes últimos meses, é que cada vitória é uma vitória e tem de ser vivida e sentida como tal, em vez de desvalorizada.
Anyway, se as primeiras dezoito semanas de gravidez foram péssimas e as dez seguintes foram muito más, as ultimas duas têm corrido muito bem. Engordei pouquinho, não tenho "aquela" fome de que as grávidas se queixam, mantenho as pés e pernas sem inchaços, não tenho dores incapacitantes, durmo a noite toda (acordo vinte vezes, mas durmo a seguir)...
A unica coisa que incomoda é a falta de ar e o cansaço. Canso-me muito, alguns passos são suficientes para iniciar contrações mas se ficar quietinha e não abusar, fico bem.
Depois de passarmos a fase do risco de prematuridade extrema, mamãe aqui relaxou. É obvio que mantenho os meus medos e angústias, o coração apertado cada vez que imagino os pequenos numa unidade de cuidados intensivos neonatais. E sei que os riscos se mantém, mas são menos e se há coisa que aprendi nestes últimos meses, é que cada vitória é uma vitória e tem de ser vivida e sentida como tal, em vez de desvalorizada.
Foi isso que os meus filhos me ensinaram nos últimos tempos. É por isso que eu vivo cada vitória destes meus ratinhos, cada dia é uma benção, e cada benção é mesmo uma benção com direito a confetis e festa rija e não apenas um encolher de ombros conformado como se fosse obrigação da vida dar-nos isto.
Os movimentos dos pequeninos parecem, nas palavras do pai, de cobras com pernas. Continuam fugidios mas já gostam mais de festinhas e beijinhos (ou se calhar, já não tem tanto espaço por onde fugir...). Não sei se já reconhecem a minha voz mas prefiro acreditar que sim.
A tarefa da semana tem sido arranjar as roupas (minúsculas, lindas) dos dois piolhos. Mantenho a obsessão em comprar roupa de prematuros. Olham-me com olhos de "´tá loka!" mas sei como é um bebé pequenininho vestido com roupa grande. Torna-se ainda mais pequenino e com ar ainda mais indefeso.
Não tem sido tarefa fácil porque não posso sair muito de casa e procurar á vontade. Além disso a gravidez tornou-me um bocadinho lenta e grande parte dos meus neurónios migrou para a barriga pelo que tem sido uma tarefa hilariante. É tudo a dobrar, e mãe cheia de experiencia que sou... Enfim, tem sido bonito. Se dependesse só de mim estas crianças provavelmente chegariam à maternidade e teriam a roupa toda trocada. Ou não teriam roupa (errrr... onde é que ficou a mala?!?).
Hajam avós, bisavós e tias-avós!
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