terça-feira, 5 de janeiro de 2010

N.E.R.D.

Quando uma pessoa pergunta, de forma completamente inocente, a outra pessoa que nunca viu mais gorda quem é que ela é e por que carga da água nos quer adicionar como amigo no Facebook, é mau? Quando a pessoa que nos quer adicionar no Facebook é uma estrela de futebol e nós nem fazemos ideia, é mau?

Quer dizer que a primeira pessoa é mesmo muito fora-de-onda? Quer dizer que eu não entendo nada de futebol ou, tendo em conta os 2.398 amigos de facebook da estrela, quer dizer que eu não conheço nada do mundo?

Acho que este tipo de atitudes me colocam, oficialmente, no clube dos nerds. O próximo passo é tocar oboe na tuna dos ex-alunos da faculdade.

domingo, 25 de outubro de 2009

Ostinato rigore

Receber uma menção honrosa por uma comunicação oral num congresso nacional e saber que não vale nada enquanto não souber diagnosticar e operar uma apendicite como deve ser.

E agradecer por ter sempre ao lado pessoas que mo relembrem.

Tentar ser cirurgiã é isto.

sábado, 19 de setembro de 2009

Graças

Hoje tiro o pé da havaiana, ponho sapatinho alto e saio para dançar.

Afinal de contas tenho de comemorar o cancro que (graças a Deus e à não existência de mutações estupidas nas células da minha mama) não tenho.

A vida é só um minuto. Eu hoje aproveito.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Da laparoscopia...

... ou de como por um pequeno buraco olhamos por dentro de alguém. E vemos tudo ao mesmo tempo que nos esquecemos que o tudo que vimos é apenas aquilo que queremos mesmo ver. A parte torne-se o todo.

Ficar de fora. Minimamente invasivos. Buracos pequenos são, como relações pequenas, rápidos de fazer. E eficazes. Olhar para dentro do outro por um pequeno orifico, mexer em alguém sem entrar nele, e ver tudo? É bom. E fácil.

Apaixonei-me pela laparoscopia. Cirurgica e da vida.

domingo, 26 de julho de 2009

Zen

Sempre foi uma união improvável, esta nossa. Começou há coisa de oito anos. A "retornada" de Africa, revoltada, amante de hip hop e de calor, espiritual mas completamente anti-católica. O "beto" do Liceu Francês, o mais católico de todos os beatos e o mais "cromo" de todos os colegas. Da união improvável foi nascendo a amizade baseada em, revejo-nos agora, nada. Nada nos unia, nada em comum. Não gostamos da mesma música, não temos histórias de vida semelhantes, não pensamos da mesma forma em quase nada, não tinhamos amigos comuns, não tinhamos a mesma fé.

Ao longo dos anos fomo-nos gostando, umas vezes mais perto outras muito distantes. Fomos juntando amigos. Quase sempre a conversa acabava em discussão e a discussão, em conversa. Pegávamo-nos, forte e feio. Tu a tentares mostrar-me que havia mais no mundo para além da minha incrivel capacidade de só ver o meu próprio umbigo, eu a mostrar-te que tinhas de ver mais o teu umbigo. Tentei corromper-te para este meu mundo, Pedro. Tantas vezes. Tantas vezes te quis ensinar a ser mais mau, mais ranhoso e tu, sempre na tua, a tentares manter-te bom. Ontem alguém me disse, com pena, que tu nos deste muito mais a nós, que nós a ti. E é verdade. E não penses que digo isto só porque fica bem. É esta a verdade. E é, em relação a ti, e juntamente com as minhas tentativas de te corromper, a única coisa de que me arrependo. Devia ter sabido que não eras de cá.

Devia ter-te pedido para dares um beijinho meu ao Kiko e ao Marco mas sei que vais fazê-lo. Eu também não tenho pena que tenhas ido, não vou chorar e quero acreditar, mais que nunca, que estás melhor. Escolheste-nos e nós temos de te deixar seguir o teu caminho, sem lágrimas. Continua a mostrar-nos a tua luz e zela por nós, anjo que agora és.
Eu vou sentir a tua falta todos os dias.

domingo, 19 de julho de 2009




Caminhos

Uma pessoa vive uma vida com outras. Crescem juntas, dançam juntas, dormem juntas, riem e choram juntas. Uma vida pequena, mas uma vida. Comem as mesmas comidas, ouvem as mesmas músicas, falam do mesmo. Odeiam o mesmo, lutam contra o mesmo.
E no final, no final, nem se entendem mais.
No final, somos nós mesmos, no caminho que escolhemos seguir. E seguindo as convicções que nos faziam ser igual e parte dos outros, somos já diferentes deles. E transformamo-nos naquilo que o outro abomina. E é reciproco. É estranho ser pessoa.
E estamos juntos, mas já não dançamos juntos, já não nos rimos do mesmo e nem pensar mostrar se choramos. Comemos do mesmo e ouvimos as mesmas músicas mas falamos de coisas diferentes em linguas diferentes. Gostamo-nos como duas pessoas que se conheceram se gostam mas nem nos falamos.
Estranho ser pessoa.